28 de novembro de 2016

Flores e poesia



Sou fascinada por flores, não entendo de onde vem tanta admiração, desde quando ganhei minha primeira câmera qualquer flor que encontre no caminho é motivo de uma foto.

Os detalhes e delicadeza de tal ser me encanta, como Clarice Lispector cita em seu conto, cem anos de perdão,"Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda", diferente de Clarice não lhe quebro o talo mas levo para casa bela fotografia.

São belas poesias em formas de vida, por isso além de fotos vou também compartilhar com vocês uma linda poesia de Vinicius de Moraes.

                    Soneto de fidelidade
                    De tudo ao meu amor serei atento
                    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
                    Que mesmo em face de maior encanto
                    Dele se encante mais meu pensamento.
                   
                    Quero vive-lo em cada vão momento
                    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
                    E rir meu riso e derramar meu pranto
                    Ao seu pesar ou seu contentamento
                   
                    E assim, quando mais tarde me procure
                    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
                    Quem sabe a solidão, fim de quem ama
                   
                    Eu possa me dizer do amor (que tive):
                    Que não seja imortal, posto que é chama
                    Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.